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Robôs livres e imprimíveis: isso é possível
21/10/2011
O último keynote, deste segundo dia de Latinoware, foi Juan González-Gómez, professor da Universidade Carlos III de Madrid e participante de diversos projetos de robótica na Espanha. Nesta área, estuda principalmente locomoção de robôs modulares e os chamados robôs educativos. Toda sua pesquisa está públicada com licenças livres, desde desenhos de protótipos de robôs à documentação da parte de eletrônica e software.
De forma bem humorada, o especialista disse estar surpreso com a quantidade de pessoas no auditório. “Eu trouxe componentes dos robôs educativos para que vocês pudessem ‘vê-los com as mãos’ e se encantarem”, brincou. O encantamento não é para menos, cada uma das peças destes robôs foram confeccionadas por impressoras 3D livres.
Apaixonado por robótica desde criança, Juan González-Gómez trabalha na construção de robôs há muito tempo. Mas foi em 2005, que o sonho de compartilhar o conhecimento adquirido e replicar protótipos começou a se tornar realidade. “Uma universidade na Inglaterra decidiu que queria inventar uma máquina que fosse capaz de replicar a si mesma. A partir dessa ideia, nasceram as impressoras 3D”, contou González. De acordo com o professor, o desenvolvimento foi tão rápido que em 2008 o projeto já tinha protótipos de impressoras completamente open source.

Essa tecnologia proporcionou uma mudança no aprendizado da robótica. Juan explicou que os robôs são equipamentos caríssimos, por isso, não é possível aprender por meio da técnica ‘tentativa e erro’. Além disso, o uso de softwares proprietários e componentes muito caros limitam as possibilidades de criatividade. “Nos projetos comuns, os alunos aprendem a parte da eletrônica e podem alterar apenas sensores e programações, a estrutura mecânica não pode ser alterada”.
Hoje, os alunos têm muita liberdade na criação de seus robôs. Para o professor, cada dia é possível aprender algo novo tanto na parte da eletrônica quanto do software e da mecânica, porque eles compreendem os protótipos completamente.
Mudanças de paradigma
As peças do robô são como o código do software. “Dessa forma, podemos e devemos documentar todas as especificações e padrões daquela peça, garantindo assim que ela possa ser replicada por outra pessoa”, alertou González. Para o professor, esse é o diferencial deste projeto. Porque ao publicar especificações, você dá uma receita de como fazer e não apenas publica informações para mostrar o seu conhecimento.Quanto aos softwares utilizados na construção dos protótipos, Juan afirma que a solução livre, Kicad, é infinitamente superior e inovou muito mais do que o concorrente proprietário. Porém, é bem menos utilizada. Uma vez que “as pessoas não estão dispostas a mudar seus processos e aprender algo novo, mesmo que seja melhor”, concluiu.
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